segunda-feira, 18 de março de 2013

O NOSSO SORRISO


O NOSSO SORRISO
p/ Zé Santos:

porque choro eu se me pedem um sorriso?
para que escondo eu, envergonhado, o meu sorriso?
digo a um amigo: sorri!
e quando eu puder mergulhar no teu sorriso
serei mais contente...
serei uma alma ardente
e morrerei para que ressuscites...
o amor é banal... está em todo o lado...
faz parte das coisas, das almas, dos verbos...
secreto entro na tua cabeça
e sinto que me sorris!
graças a Deus tenho o meu sorriso na vontade de um amigo!
sabes?
sou eu. eu que viajante rebusco os vocábulos 
incompletos, rasurados, rasgados, filtrados
para perpetuar o meu desejo na vontade contida de gargalhar contigo.
tenho saudade dos meus amigos...
choro como quem ri...
rio que se asfixia pelas margens que o sustentam...
naufrago desaguo no teu sorriso...
descubro que há barcos para pernoitar..
e circulos de fogo para viajar...
gosto que gostem de mim...
eu até gosto de mim...!!!
só que escondo o sorriso... o nosso sorriso.
desnudo-me para viajar no arfar completo de um sorriso...
sei o teu dialeto...
e se te escrevo - eu que odeio ser poeta - é porque gosto de ti!
vou de rosto em rosto para arrancar um sorriso...
isso faz-me feliz
... mas nas noites tenebrosas sonhando pesadelos
fico tonto e não sei por onde andar...
prefiro ver-te sorrir... e recordar que há desafios
onde escancaras o desejo...
sou teu amigo, sorriso que nasce no meu amigo...
vou recolher todas as lágrimas que meus olhos cansados derramam
e sorrir para ti como se fosse o ultimo suspiro de alegria...
depois deixas-me morrer?
é que adoro ressuscitar!!!
obrigado... brinca a sério com os movimentos dos sentidos 
que te realizam e me fazem anular
os meus caprichos de sonhador...
... sim. sei que és todo o seu amor...

J. C. Villar



domingo, 17 de março de 2013

CRÉATEUR DE DESTINS


CRÉATEUR DE DESTINS

À Demoiselle Filipa Carneiro:

dans une mer d’imenses talents voilés
où les eaux se rendent aux vents,
surgit un spectre Adamastor parmi  les silhouettes
qui s’étendaient en tristes tourmants!

le Géant était cultivé… heureusement diplômé!
courbé dans son trône montrant son pouvoir
aux mortelles victimes d’un Destin, «Fatum»
construit de par les amis du savoir.

tombent les lois maudites du Destin
qui sont la raison des critiques que je signe
même s’il ne reste que le jugement ulltime.

puis éprouver de la jalousie vis à vis d’un être supérieur,
est une force que j’essaie de feindre avec pudeur!
c’est sentir comme assouvi  ce que je n’ai pas encore senti!

José Carlos Villar

In FRAGMENTOS

 1997

Écrit en 1994
Traduction d’Isabelle Moringa


CRIADOR DE DESTINOS
p/ Dr.ª Filipa Carneiro:

num mar de imensos talentos ocultos
onde as águas se rendiam aos ventos,
surgia um Adamastor por entre os vultos
que se espraiavam em tristes lamentos!

o Gigante era culto… felizmente diplomado!
assim prostrado no seu trono ostentando poder
perante os mortais vítimas de um Fado
construído a partir dos amigos do saber.

quebravam-se as leis malvadas do Destino
que são a razão das críticas que assino
embora permaneça a ideia de ser julgado.

e o sentir inveja de alguém superior,
é força que tento dominar,  com pudor!
é sentir o fim de algo ainda nem começado.

José Carlos Villar
In FRAGMENTOS
Texto publicado em 1997
Escrito nos idos ‘94

IMPROVISO

hoje decidi retirar a máscara
hoje manifestei amor incondicional
hoje sei que pouco ou nada já me surpreende
hoje cada novidade é um sonho
sinto pulsar nas veias um cavalo a galope
hoje sou quem diz eu sou
hoje respiro o aroma da fragancia
hoje reivento um poema novo
hoje rasuro um erro do passado
hoje deito-me sozinho e sei que estás ali... no lugar vago
hoje tenho uma cama e há um vagabundo sem tecto
hoje sou vadio almirante da minha silhueta
hoje sinto-te a história da minha vida
hoje sinto saudade de mim e de quem me disse
ou sei que não sei
hoje sei só... só o que sei...
hoje naufrago no teu ventre de mulher e musa
hoje perco-te num poema com cábula
hoje sou do contra... sou a favor do contra
hoje implode um grito vigilante no meu amor
hoje calo esta voz e dou o verbo ao ser
e se hoje sei que hoje sei, vou dormir...
hoje ... he lá... hoje foi ontem

José Carlos Villar
improviso

sábado, 16 de março de 2013

HOJE


HOJE

leio a tua voz nas entrelinhas do timbre que segura o desejo de escutar e naufraga na vontade da partilha... vozes roucas por tanto procurarem o grito... vozes moucas que só ouvem o seu umbigo, são nefastas e castram o trilho...
de tanto gritar fiquei aflito... de tanto falar nos caracteres dissolvi o desejo nesta busca incessante de te perder... fui longe para te buscar... notei que o caminho é inseguro... perdi a força mas ganhei a coragem...
hoje é o dia em que canto o nosso amor e componho um destino para quem como nós só sabe amar.
hoje é o dia em que a memória tem impressa o teu nome: mulher!
e se cantei é por que te quero...
se me perdi ao buscar-te é porque te encontrei...
hoje já não preciso de certezas... as dúvidas, deixo-as ao acaso do alheio...
hoje é o dia em que te beijo e sinto nos lábios o sabor agridoce de um futuro comum!
hoje?
 só eu e tu!!!

José Carlos Villar


A ARTE DE AMAR


A ARTE DE AMAR
... o Amor é a mais solicitada Ventura para todos! quando este parece invisivel é pois por ser visto por olhos cegos por tanto ignorarem seu significado, afinal tão comum.
se quem não vê o Amor porque olha outros haveres, padece da cobiça ao que tem... e esse sentimento castrado por indiferença, assemelha-se à traição!!!
nunca vingará o Amor nos que desdenham a Liberdade do seu significado.
hoje estou mais Real... mais autónomo, mais EU!
e se alimento tão nobre sentimento, tenho a fome na sede em ser-me a vencer tão desalmado prazer no privilégio do retorno!!!
quem ama cuida. é urgente nutrir respeito pelo próximo... é nesta certeza que realmente me movo... os outros não sabem dispensar a abertura do que no mais recôndito do seu ser existe... eles não sabem amar.
fica tanta gente na escuridão do ódio a carregar esse peso e curvam-se perante o Mal sem entenderem que o Bem é tudo o que de mais precioso e inabalável existe...
o Amor é a arma dos nobres sonhadores fiéis ao seu significado. eles recebem Benção Divina e vivem para lá da Eternidade!!!

José Carlos Villar


SER-SE


SER-SE
não julgues os outros. é reverso inútil. vive cada momento... intensamente... alimenta o sonho prenhe de real-idade... não imites ninguém... mas aprende com tudo e todos... és um mortal: único, inimitável... irrepetivel... singular... é aliciante a Vida! não sofras por antecipação pois o futuro é o embrião do agora... das escolhas... das deceções... virtudes e características que te tornam singular e alimentam o dia... deixa a véspera do abismo iluminar um passo à retagurada... serás feliz se amares... laços que te colocam na linha da frente da batalha da eternidade... gosta de ti!  aceita-te e aceitar-te-ão... o amor é sublime, mas lembra: não te iludas nem desiludas ninguem...a consequencia da ilusão só tem uma resposta... sonha.. «ama,bebe e cala»! não procures a resposta nos outros... a viagem está condenada a viver em ti... no âmago do teu ser... em frente... a resposta chegará... e a questão é o fim. contempla... brilha e ofusca olhares nefastos e castradores... sê sincero... mas sê primeiro a verdade que implode em ti como um vulcão adormecido... um dia chegará Deus... pergunta-lhe se O podes ver... a energia que a fé transporta é a força - a tua - e aí estará a resposta! sorri... esta mensagem humilde é para ti... mas preciso da tua ajuda... para a divulgar... grato.

José Carlos Villar


sexta-feira, 15 de março de 2013

A SABEDORIA DO PERDÃO


– As lágrimas que me fizeram verter, eu perdoo.
As dores e as decepções, eu perdoo.
As traições e mentiras, eu perdoo.
As calúnias e as intrigas, eu perdoo.
O ódio e a perseguição, eu perdoo.
Os golpes que me feriram, eu perdoo.
Os sonhos destruídos, eu perdoo.
As esperanças mortas, eu perdoo.ERDÃO
O desamor e o ciúme, eu perdoo.
A indiferença e a má vontade, eu perdoo.
A injustiça em nome da justiça, eu perdoo.
A cólera e os maus-tratos, eu perdoo.
A negligência e o esquecimento, eu perdoo.
O mundo, com todo o seu mal, eu perdoo.

PAULO COELHO




Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente. Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.
FERNANDO PESSOA

SERENIDADE


A serenidade não é feita nem de troça nem de narcisismo, é conhecimento supremo e amor, afirmação da realidade, atenção desperta junto à borda dos grandes fundos e de todos os abismos; é uma virtude dos santos e dos cavaleiros, é indestrutível e cresce com a idade e a aproximação da morte. É o segredo da beleza e a verdadeira substância de toda a arte.
O poeta que celebra, na dança dos seus versos, as magnificências e os terrores da vida, o músico que lhes dá os tons de duma pura presença, trazem-nos a luz; aumentam a alegria e a clareza sobre a Terra, mesmo se primeiro nos fazem passar por lágrimas e emoções dolorosas. Talvez o poeta cujos versos nos encantam tenha sido um triste solitário, e o músico um sonhador melancólico: isso não impede que as suas obras participem da serenidade dos deuses e das estrelas. O que eles nos dão, não são mais as suas trevas, a sua dor ou o seu medo, é uma gota de luz pura, de eterna serenidade. Mesmo quando povos inteiros, línguas inteiras, procuram explorar as profundezas cósmicas em mitos, cosmogonias, religiões, o último e supremo termo que poderão atingir é essa serenidade.

Hermann Hesse, in 'O Jogo das Contas de Vidro'


"O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."