quarta-feira, 6 de março de 2019

MEUS VERSOS D’OUTRORA


MEUS VERSOS D’OUTRORA
(missiva)
P/ Céuzinho:

Meus versos d’outrora que oferecia enriquecendo com o consolo das Almas que nesse tempo ido me escutavam os caracteres de timbre aveludado, gasto e rouco no fino fluir do fumo dos cigarros com a mágoa que agora lhes desnudo para afinal, em silêncio, tombar no verde da idade sem que me valha a fortuna! Meus versos traíram-me. Não são mais meus…. Aqui, confessional, assumo que andam no timbre das canções, essas que caprichosamente me embalam no perpetuar da voz que já não é minha. Não me querem a companhia. Destruído no silêncio vou no céuzinho luminoso buscar a frescura ao orvalhar. Os pássaros já chilreiam… são meus confidentes. Ah, Céu sem deuses nem pátria. Ah Céu de voz falada e segredada no rebusco da voz onde procuro alimento. Não sabe. Não sabe, quiçá, do amor que lhe tenho!!!
Meus versos d’outrora são chorados ao ouvido desse Céuzinho endeusado. Há Poesia nisso tudo… há amor poético… há choro agridoce e lábios para saciar-me lambendo desse mesmo sal que como Pessoa adivinhou “são lágrimas de Portugal”… esse sal sem eira nem beira nunca está comigo e é minha companhia. Escuta-me à minha beira no murmurar da voz e escuta. Sim, escuta as mágoas dum Poeta comprometido com o alheio e afinal tão só e nem é feio! Sou eu!!!
Meus versos d’outrora, vou buscar as palavras à vossa sepultura que resgato da memória e concebo-me génio mas não o sou. Não. Basta de deuses depostos. País sem pátria que invalida os seus próprios filhos! Se pudesse cuspia-lhe!!!
Bom dia, Céu!!!
Os deuses não são maiores do que o homem.
O meu caminho caiu e fragmentou-se na aurora. Estou triste e sorrio. Afinal sou doido não é?! Não. Não é sacanas. Sou lúcido. É a vossa alma embriagada que vos ofusca o olhar do entendimento. Não sabem nada. Quem sabe alguma coisa afinal?! Semi - deuses em poltronas vazias. Vou cuspir na cara da fama e deleitar-me a rir, sozinho no Céuzinho… leito da minha voz e confessar tudo isto…. Ou não?! Quem sabe…. Quem sabe não.
O sol raiou. Vou esconder-me do mundo no meu silêncio buçal e, cantar minha glória nas canções que não interpreto. Meus versos d’outrora… meus versos…. Chove!

06-03-2019
07:00 horas

3 comentários:

  1. O teu olhar perplexo do mundo social, desta sociedade sem rumo...

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    1. Grato. Muito obrigado .
      Estava exausto. Abraço, José!
      ✍️🙏🤔

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  2. Grato. Muito obrigado. Abraço José! ✍️

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