terça-feira, 3 de julho de 2018

ESTE QUARTO LONGE (improviso)


Este quarto longe… uma cama em silêncio.
Tu, na tua cadeira e um múrmuro gemido, suponho.
Ambos secretos no saber, aprendizes do prazer
Iniciámos o caminho noite dentro pela manhã
Até que a alba faça renascer tudo o que houve e será!

É o equilíbrio das vozes dançantes num resgate
De prazeres contraídos numa cadeia de palavras
Soletradas ao sabor da vontade… sem mentira; sem verdade.
É,deveras, tudo isso – o susto ancorado – e a memória trazida
De momentos audaciosos na troca de olhares cruzados
Em ecrã revelador. Sou mais feliz quando escrevo isto,
Se cresço ou não, insisto, não resisto!

Essa flecha a atravessar os corpos e a nudez das palavras…
… a voz fechada numa alça caída em pele caiada.
Não sei mais quem fui. Não quero o passado.
Dentro de mim teu rio dilui
A véspera dum leito já partilhado. Sempre tu a renascer, a acordar…
- olá, bom dia!
- bom dia, como estás?

(…) de tudo o que vivi isto é bem melhor do que previa;
Se estás ou não estás não sei.
Há que tempos te diria e não via
As palavras que te dei! (…) – mergulhei? Ousei?
O rio pára suspenso no dialeto que aprendi quando as bocas salivando
Se mostraram fiéis à vindoura madrugada e, a aurora é o Céu
E é teu, o nome é teu… e eu.


José Carlos Villar
04 – 07 – 2018
00:43 hs