terça-feira, 21 de agosto de 2018

BRISA


BRISA

uma brisa muito suave
passa nesta noite quieta.
será um canto de ave
ou uma harpa discreta?

uma luz incendiada cruza
os contornos da escuridão.
sonhos, quimeras de quem usa
a palavra que amputa a solidão…

passa a brisa na noite quieta.
não sei mais nada, não sei.
sou apenas um poeta…
… sinto, sonho ou imaginei?!

J. C. Villar
23:47
07/ 08 / 18



ECLIPSE LUNAR - (OLHAR/VER)

Boa noite…
(Eclipse Lunar - Olhar/Ver)

Tens no olhar o brilho de quem já viu muito e, mesmo assim, não cansa da sede do renovado espanto. Observo-te placidamente com ver maravilhado e, sinto um tremor, um abismo, um arrepio, um vício já, em contemplar no prazer de gostar-te. Não te conheço. Nem sei se mereço a visão endeusada que meus olhos filtram. Olho-te e vejo-te! Por vezes parámos o olhar poisado um no outro e, eu sei… sei que te não sou indiferente. Isso é bom, sabe bem! Estremeço quando fixo meu olhar no teu! Tu dizes que te mimo. Eu sorrio! Há entre nós este gesto de ternura que nunca trocámos. Há segredos na neblina das manhãs. Há toda a vastidão de um corpo esguio e belo por conhecer. Assim são os mares e os portos onde ancoro a minha vontade de mergulhar. Escrevo-te isto para te provar que um dia, mesmo que apenas num dia apenas, apenas eu e tu, com pena de nos desconhecermos, iremos decifrar os códigos do olhar numa perpétua presença. É aí que reside o segredo. Era isto, agora, que te queria escrever. Tenho as vírgulas desalinhadas. Tenho o verbo sem ritmo, mas sei que era exatamente isto! Só assim me completo e te “complemento” como tão sabiamente me concedes.
Boa noite… Este não é um dia a mais nem mais um dia. É a noite da Lua. Eu sei! Tu ensinas os Astros a bailar nos segredos. Eu revelo-os… a ti, aqui! Boa noite… o Céu está bonito! Até amanhã…

J. C. Villar
28-07-2018



terça-feira, 3 de julho de 2018

ESTE QUARTO LONGE (improviso)


Este quarto longe… uma cama em silêncio.
Tu, na tua cadeira e um múrmuro gemido, suponho.
Ambos secretos no saber, aprendizes do prazer
Iniciámos o caminho noite dentro pela manhã
Até que a alba faça renascer tudo o que houve e será!

É o equilíbrio das vozes dançantes num resgate
De prazeres contraídos numa cadeia de palavras
Soletradas ao sabor da vontade… sem mentira; sem verdade.
É,deveras, tudo isso – o susto ancorado – e a memória trazida
De momentos audaciosos na troca de olhares cruzados
Em ecrã revelador. Sou mais feliz quando escrevo isto,
Se cresço ou não, insisto, não resisto!

Essa flecha a atravessar os corpos e a nudez das palavras…
… a voz fechada numa alça caída em pele caiada.
Não sei mais quem fui. Não quero o passado.
Dentro de mim teu rio dilui
A véspera dum leito já partilhado. Sempre tu a renascer, a acordar…
- olá, bom dia!
- bom dia, como estás?

(…) de tudo o que vivi isto é bem melhor do que previa;
Se estás ou não estás não sei.
Há que tempos te diria e não via
As palavras que te dei! (…) – mergulhei? Ousei?
O rio pára suspenso no dialeto que aprendi quando as bocas salivando
Se mostraram fiéis à vindoura madrugada e, a aurora é o Céu
E é teu, o nome é teu… e eu.


José Carlos Villar
04 – 07 – 2018
00:43 hs