Tens no olhar o brilho de quem já viu muito e, mesmo assim,
não cansa da sede do renovado espanto. Observo-te placidamente com ver
maravilhado e, sinto um tremor, um abismo, um arrepio, um vício já, em
contemplar no prazer de gostar-te. Não te conheço. Nem sei se mereço a visão
endeusada que meus olhos filtram. Olho-te e vejo-te! Por vezes parámos o olhar
poisado um no outro e, eu sei… sei que te não sou indiferente. Isso é bom, sabe
bem! Estremeço quando fixo meu olhar no teu! Tu dizes que te mimo. Eu sorrio!
Há entre nós este gesto de ternura que nunca trocámos. Há segredos na neblina
das manhãs. Há toda a vastidão de um corpo esguio e belo por conhecer. Assim
são os mares e os portos onde ancoro a minha vontade de mergulhar. Escrevo-te
isto para te provar que um dia, mesmo que apenas num dia apenas, apenas eu e
tu, com pena de nos desconhecermos, iremos decifrar os códigos do olhar numa
perpétua presença. É aí que reside o segredo. Era isto, agora, que te queria
escrever. Tenho as vírgulas desalinhadas. Tenho o verbo sem ritmo, mas sei que
era exatamente isto! Só assim me completo e te “complemento” como tão
sabiamente me concedes.
Boa noite… Este não é um dia a mais nem mais um dia. É a
noite da Lua. Eu sei! Tu ensinas os Astros a bailar nos segredos. Eu revelo-os…
a ti, aqui! Boa noite… o Céu está bonito! Até amanhã…